Nossa História
Luta e Resistência Pelo Direito à Vida e Preservação Ambiental
Quilombo Araucária nasce em julho de 2023, através da mobilização e organização da comunidade do Jardim Umarizal e comunidades ao entorno, após o atentado criminoso contra seis árvores Araucárias presentes na comunidade a mais de 60 anos — nativas do sul, ameaçadas de extinção e tombadas como patrimônio nacional — que foram queimadas e mortas por interesses da especulação imobiliária.
Descartes de Lixos e Entulhos
Com a saída do clube Circolo Italiano, após a venda para construtoras, o local que estava sobre concessão do clube acabou sendo abandonado. Após a venda, o espaço passou a ser utilizado como depósito de lixos e entulhos, e também por usuários de crack e outras substâncias químicas.
Estratégias de Ação e Ocupação da Área
O processo de ocupação do local em sua fase inicial foi entender do que o local se tratava, se a área era particular ou pública, pois a comunidade não tinha o conhecimento de sua finalidade. O movimento Luta Popular deu a base e técnicas para que a comunidade garantisse o direito à área e ao meio ambiente, com formação política de direitos às comunidades.
A partir dessas iniciativas foi formado um grupo composto por lideranças dos territórios ao entorno, profissionais da área ambiental, espaços de educação, militantes, comunidades ao entorno e de outras regiões da cidade de São Paulo.
Mutirões e Reuniões
Após a ocupação da área aos domingos, a comunidade se organiza a partir de reuniões e mutirões comunitários, para a remoção de lixos, entulhos, preservação e restauração da última área verde do território.
Contamos também com o apoio e participação direta de moradoras e moradores em situação de rua e usuários de crack — agentes ambientais — que também estavam presentes no local. Eles foram fundamentais para a remoção de 9 caminhões de lixo descartados no local.
O poder público até o momento não podia ter acesso à parte interna do Quilombo, pois a área estava dentro do setor imobiliário e caminhando para um processo de negociação com construtoras que já estavam interessadas na área — e responsáveis pelo incêndio às seis araucárias que perderam suas vidas.
Voz das Mulheres
A voz das mulheres foi fundamental para o processo de ocupação, elaboração e cuidados com o local. O Brasil líder no ranking mundial em feminicídio também deixou sua marca em nossa comunidade, levando a vida de nossa irmã Mara Brandão — mulher, trans, preta, periférica — que foi uma das primeiras mulheres a romper o medo imposto pelo capitalismo, adentrar ao local e se posicionar contra a devastação ambiental na cidade de São Paulo.
Em memória de Mara Brandão e Nequinha.
Processo de Revitalização e Reconhecimento da Área
No início da ocupação, um dos maiores desafios foi remover o local do setor de assuntos imobiliários para setores responsáveis pelo meio ambiente, pois no local os interesses eram de construção de edifícios por construtoras.
Nossa tarefa foi pressionar o poder público com visitas à prefeitura de São Paulo, secretaria do verde, secretaria de assuntos imobiliários e subprefeitura do Campo Limpo, para a transferência da área e reconhecimento do poder público de se tratar de um espaço de preservação ambiental cuidado e organizado pelas comunidades.
Garantia do Território
Após todo o processo de pressão e reuniões com o poder público, diálogos com representantes de gestões políticas, a área é transferida do setor de assuntos imobiliários para o setor público, onde o diálogo se estabelece com a subprefeitura do Campo Limpo.
A comunidade exige sua autonomia, gestão e cuidados com o espaço, exigindo do poder público os direitos das comunidades de cuidados com a terra, o meio ambiente e o pertencimento à cidade. Fomos contemplados com uma emenda pública por reconhecimento da luta por garantia de direitos e preservação do meio ambiente, seu acesso e ao legado histórico, indígena e africano.
Elaboração da Planta e Projetos
Os estudos da área, a demarcação de espaços e a planta começam a ser desenvolvidos pelas comunidades, a partir de encontros de formação e reuniões, com a participação de crianças, jovens, adultos e idosos.
Contamos com a participação das escolas do território — Synésio Rocha, Francisco Brasiliense Fusco — Biblioteca Marcos Rey, Projeto Vida, Centro Esportivo Campo Limpo, MSE Campo Limpo, USP, Unifesp, espaços de educação do território, e o apoio de profissionais das áreas ambiental, arquitetura, engenharia, bioconstrução, direitos humanos, política, assistência social, cultura, educação, esporte e saúde.
Construindo um espaço de participação popular e autonomia comunitária com saberes tradicionais, populares e ancestrais.