Pesquisa de Público e Demandas da Comunidade

Proposta de missão. Uma pesquisa participativa com quem frequenta o Quilombo Araucária — online e presencial — para entender, de forma sistemática, o que a comunidade precisa, ordenar por prioridade e ligar cada demanda ao serviço público responsável. O resultado vira um documento de evidências para a reunião com a Subprefeitura do Campo Limpo e para o pedido de regularização do espaço.

Por que esta pesquisa

O método vem de uma experiência real de pesquisa de público: no Instituto Butantan e no Museu de Zoologia da USP (bolsa FAPESP, orientação de Erika Hingst-Zaher), aplicaram-se questionários aos visitantes para traçar o perfil do público e avaliar se o espaço atendia bem às pessoas. A mesma lógica serve aqui — só que o "público" é a comunidade do Jardim Umarizal e do entorno, e a "exposição" é o próprio Quilombo: um espaço público cuidado pela comunidade.

Hoje o Quilombo pede à Subprefeitura a formalização do direito de uso (termo de permissão/concessão). Uma decisão dessas se sustenta em evidência: quem usa o espaço, com que frequência, do que precisa, e como isso se conecta a direitos e serviços públicos. Esta pesquisa produz exatamente essa evidência — e, ao mesmo tempo, organiza as demandas da comunidade para a ação.

Objetivos

  1. Traçar o perfil de quem frequenta (faixa etária, bairro, vínculo, frequência).
  2. Levantar demandas e sugestões — abertas (na voz da comunidade) e fechadas.
  3. Priorizar as demandas por frequência (quantas pessoas pedem) × urgência (gravidade e prazo).
  4. Conectar cada demanda priorizada ao serviço público responsável.
  5. Diagnosticar de forma sistemática: do problema à causa, da causa à solução.
  6. Subsidiar a regularização — um relatório de uso e demanda para a Subprefeitura.

Metodologia

Adaptada da pesquisa de público de museu, em três frentes de coleta:

  • Online — um questionário curto no próprio site do Quilombo (quilomboaraucaria.org) e por WhatsApp/redes. Anônimo, ~3 minutos.
  • Presencial — abordagem nos mutirões de domingo e nos encontros e eventos (ex.: o Arraiá Social, 25/07/2026), com formulário em papel/tablet — como se abordava o visitante na entrada do museu.
  • Parceiros — escolas (Synésio Rocha, Francisco Brasiliense Fusco), universidades (USP, Unifesp), o CCA Projeto Vida (horta de 6 turmas) e o comércio local, que trazem a visão de quem usa o espaço de forma indireta.

O que se mede (variáveis):

Bloco Perguntas
Perfil idade · bairro · como conheceu · com que frequência vem · vínculo (morador, voluntário, escola, visitante)
Uso de quais atividades participa (ambiental, cultural, CCA, harm reduction…)
Demandas o que falta? (aberta) + lista priorizável (iluminação, água, banheiro, segurança, transporte, saúde, cultura…)
Urgência "isso é urgente?" (escala) — para cada demanda marcada
Sugestões ideias e propostas (aberta)

Amostra: meta inicial de ~150–200 respostas ao longo de ~2 meses de eventos — factível dado o alcance atual (a rede online registra 5.246 visitantes únicos e 13.417 visitas em páginas válidas entre mar–jun/2026, e o Quilombo já realizou 43 encontros). Números acompanháveis em /numeros.

Priorização — matriz frequência × urgência

Cada demanda é posicionada por quantas pessoas pedem (frequência) e quão grave/ urgente é (urgência):

            URGÊNCIA →
          baixa        alta
  alta │ 2. planejar │ 1. AGIR JÁ      ← muitos pedem, é urgente
FREQ.  │             │
  baixa│ 4. observar │ 3. caso a caso

A ordem de ação sai dessa matriz: o quadrante 1 (agir já) primeiro. Assim a comunidade e a Subprefeitura tratam o que mais gente precisa e mais urge — não o que é mais barulhento.

Conexão com serviços públicos

Cada demanda priorizada é amarrada ao órgão/serviço que pode resolvê-la — o que transforma a pesquisa em pauta concreta para a reunião:

Demanda (exemplos do espaço) Serviço / órgão Enquadramento
Iluminação pública (LED/solar) Subprefeitura · Iluminação (Enel/SP) segurança + direito à educação (CF art. 205)
Água potável permanente Sabesp · Subprefeitura direito humano (ONU) + captação de chuva já em curso
Saneamento / banheiro seco Saneamento Básico · Vigilância baixo custo, baixo impacto; admissível em lei
Assistência (crianças, harm reduction) CRAS · CCA Projeto Vida proteção social
Saúde de base UBS Jardim Umarizal acesso à saúde
Cultura e educação ambiental Cultura · Educação · Meio Ambiente extensão universitária e escolar

(As demandas reais e sua ordem saem da pesquisa — esta tabela só mostra o formato.)

Do problema à solução (sistemático)

Para cada item do quadrante "agir já", uma ficha curta:

  1. Problema (na voz da comunidade) → 2. Causa provável → 3. Solução proposta (o que a comunidade faz + o que o poder público faz) → 4. Indicador (como saber que melhorou).

Exemplo de ficha: Problema: "à noite é perigoso e as crianças do CCA não ficam." → Causa: ausência de iluminação pública. → Solução: poste LED/solar (Subprefeitura)

  • horário de uso seguro definido pela comunidade. → Indicador: atividades noturnas do CCA retomadas.

Entregáveis

  • Relatório de diagnóstico participativo — perfil + demandas priorizadas + mapa para serviços públicos. É a peça de evidência para a reunião com a Subprefeitura e para o termo de concessão de uso.
  • Painel de demandas no site do Quilombo — vivo e atualizável a cada evento, para a comunidade acompanhar o que foi ouvido e o que avançou.
  • Pauta priorizada para as próximas reuniões e mutirões.

Cronograma

Fase O quê Quando
1 Desenhar o questionário (com a comunidade) semana 1–2
2 Coleta online + presencial (mutirões, Arraiá 25/07) ~2 meses
3 Análise + matriz de priorização semana seguinte
4 Relatório + painel + 1 semana
5 Apresentação à Subprefeitura reunião

Como fortalece a regularização

A apresentação à Subprefeitura pede o reconhecimento do uso comunitário do espaço. Esta pesquisa documenta esse uso com números e na voz de quem frequenta, mostra que as demandas são direitos ligados a serviços públicos, e prova que o Quilombo cumpre função social — os três pilares de um pedido de concessão bem fundamentado. Ouvir a comunidade de forma sistemática não é só método de pesquisa: é o argumento.


Método inspirado na pesquisa de público do Instituto Butantan / Museu de Zoologia da USP (FAPESP). Conecta-se à apresentação à Subprefeitura e à nossa história.