Quilombo Araucária — Apresentação Institucional
Natureza Viva, Futuro Ancestral
Documento de apresentação para a reunião com a Subprefeitura do Campo Limpo. Objetivo da reunião: regularizar (1) o uso do espaço público organizado e cuidado pela comunidade e (2) o reconhecimento da Associação Comunitária Quilombo Araucária.
Endereço: Rua Eçauna, 137 — Jardim Umarizal, São Paulo/SP, CEP 05754-040. Material complementar: Portfolio (slides + PDF) · Estatuto Social · Relatos · Encontros · Missões.
1. Quem Somos
Somos uma comunidade do Jardim Umarizal e territórios do entorno — lideranças locais, profissionais das áreas ambiental, arquitetura, engenharia, bioconstrução, direitos humanos, assistência social, cultura, educação, esporte e saúde, moradoras e moradores em situação de rua, escolas, universidades e movimentos sociais. Construímos um espaço de participação popular e autonomia comunitária com saberes tradicionais, populares e ancestrais.
- Páginas: Sobre · Nossa História · Nosso Grupo
- O grupo reúne dezenas de participantes ativos e homenageia, em memória, as mulheres Mara Brandão, Nequinha e Soninha, que romperam o medo e abriram caminho no território.
2. O que é o Quilombo Araucária
Nasce em julho de 2023, da mobilização da comunidade após o atentado criminoso contra seis araucárias — espécie nativa do sul, ameaçada de extinção e tombada como patrimônio nacional — queimadas por interesses da especulação imobiliária, que disputa as poucas áreas verdes que sobrevivem na cidade.
Quilombo (do quimbundo kilombo) significa acampamento, povoação, fortaleza e refúgio — no Brasil, centro de resistência contra a escravidão. O nome homenageia as populações negra, indígena e branca que resistem.
- Página: Sobre o Quilombo Araucária
3. Nossa Missão (Papel)
Nosso papel é preservar, documentar e fortalecer a existência coletiva do território e da última área verde do Jardim Umarizal, articulando meio ambiente, cultura, educação e assistência social. Os objetivos estão formalizados no Estatuto Social, Art. 3º:
- Preservação e Memória — história, saberes ancestrais, acervo
- Educação e Formação — crianças, adolescentes e adultos
- Cultura e Expressão — arte, festas, identidade afroindígena
- Ambiente e Sustentabilidade — terra, água, biodiversidade, agroecologia
- Organização e Autogestão — governança horizontal, decisão coletiva
- Redes, Produção e Território — alianças, economia solidária, direito à terra
"A terra não nos pertence — nós pertencemos a ela." Ver também Desafios.
4. Ações e Atividades Promovidas
Página-síntese: Missões / Ações. Eixos:
- Meio ambiente: plantio de araucárias, horta, compostagem, reciclagem, bioconstrução, agroecologia
- Cultura e saberes: saberes afroindígenas, capoeira, música, audiovisual, cinema periférico, yoga
- Comunidade: redução de danos, juventude, extensão universitária, festa das crianças, arraial
Registrado em relatos e encontros (provas concretas da atuação):
- Oficina de Captação de Água — Chefe Carlos Barros (28/03/2026)
- Conversa com EAG — agroecologia urbana (27/03/2026)
- Reunião de Alinhamento — CCA e Raízes do Futuro (28/04/2026)
- Reunião da Coordenação (28/03/2026)
- Mensagem de Silo: Propósito (02/04/2026)
- Lavagem das Escadarias da Catedral de Campinas (04/04/2026)
- ATA da Reunião Geral (13/06/2026) — pauta principal: Arraiá 2026
- Calendário contínuo de reuniões gerais aos sábados, 14h → Encontros
5. Espaço Público Organizado a partir dos Cuidados Comunitários
Este é o coração do pedido à Subprefeitura. A área era concessão do extinto Circolo Italiano; com a venda a construtoras, virou depósito de lixo e ponto de uso de drogas. A comunidade ocupou aos domingos e organizou o cuidado coletivo:
- 9 caminhões de lixo removidos, com participação direta de moradores em situação de rua como agentes ambientais
- Pressão junto à Prefeitura, Secretaria do Verde, Secretaria de Assuntos Imobiliários e à Subprefeitura do Campo Limpo → a área foi transferida do setor imobiliário para o setor público / ambiental
- A comunidade foi contemplada com uma emenda pública em reconhecimento à luta por preservação ambiental e direitos
- Estudos, demarcação de espaços e planta desenvolvidos coletivamente, com escolas, USP, Unifesp, MSE Campo Limpo e profissionais voluntários
→ História completa: Nossa História.
O que pedimos: formalizar o direito de uso do espaço público pela comunidade (termo de permissão/concessão de uso), reconhecendo a gestão e os cuidados já exercidos.
6. Perseguições — Racismo, Intolerância Religiosa, Racismo Religioso e Discriminação
A trajetória do Quilombo é também de resistência à violência:
- Racismo ambiental e especulação imobiliária: o atentado às araucárias e a disputa pela última área verde do território (História)
- Violência de gênero/feminicídio: a perda de Mara Brandão — mulher, trans, preta, periférica — uma das primeiras a enfrentar a devastação (História · Nosso Grupo)
- Posicionamento contra toda forma de discriminação: princípio firmado no Estatuto, Art. 5.5 e na Mensagem de Silo
- Defesa da liberdade religiosa de matriz africana: registrada no relato da Lavagem das Escadarias, marco de resistência afro-brasileira e combate à intolerância religiosa
Esses episódios de racismo religioso e intolerância estão registrados e referenciados nos relatos acima. O combate a toda forma de discriminação é princípio do Estatuto, Art. 5.5.
7. Parcerias e Projetos
Construímos em rede (Parceiros e Apoiadores):
- Educação do território: CCA Projeto Vida, Escola Synésio Rocha, Escola Francisco Brasiliense Fusco, Biblioteca Marcos Rey
- Equipamentos públicos: Centro Esportivo Campo Limpo, MSE Campo Limpo, CDC Cleuza Bueno, Subprefeitura do Campo Limpo
- Universidades: USP, Unifesp
- Movimentos e coletivos: Luta Popular, Teia dos Povos, Agência Solano Trindade, Centro de Direitos Humanos Gaspar Garcia, MST, Quilombo Raça e Classe, Instituto Tia Lira, Elgbara
- Parceiros locais/culturais: Nosso Boteco, Arte Longa, Retro Umarizal e amplo comércio do bairro (ver ATA do Arraiá)
O Estatuto, Art. 17 define o processo de parcerias formais (transparência, autonomia, 2 assinaturas, avaliação periódica).
8. Desafios
Página: Desafios. Em resumo: garantir o direito à terra e ao plantar, sustentar a luta ambiental e concluir a infraestrutura comunitária — sobretudo a sede, abrigo para os dias de chuva e espaço de formação. Recursos são compartilhados entre membros da classe trabalhadora, com longas jornadas. A regularização junto à Subprefeitura é o passo que destrava os demais desafios de infraestrutura abaixo.
8-A. Marco de direitos e desenvolvimento sustentável (enquadramento da infraestrutura)
Os itens de infraestrutura a seguir — iluminação, água, sanitários — não são favores: são direitos. O Quilombo Araucária funciona como espaço de educação ambiental, cultural e de assistência social, em rede com o CCA Projeto Vida, escolas, bibliotecas e universidades (USP, Unifesp). Espaços educativos têm direito a padrões mínimos de infraestrutura — proteção contra a chuva, água, energia/iluminação, acessibilidade e conectividade — como condição do próprio processo de ensino-aprendizagem.
Esse direito está ancorado na legislação e nas diretrizes (ver referências desta página):
- Educação como direito de todos e dever do Estado — CF, art. 205
- Direito de todos à educação ambiental, componente essencial e permanente, e dever do poder público de promovê-la — Lei 9.795/1999, art. 3º e CF, art. 225, §1º, VI
- Padrões mínimos de qualidade / infraestrutura de ensino — LDB, Lei 9.394/1996, art. 4º, IX
- Proteção integral de crianças e adolescentes atendidos no território — CF, art. 227 e ECA, Lei 8.069/1990
- Acessibilidade como direito em espaços de uso coletivo — Lei 13.146/2015
Viés ambiental e desenvolvimento sustentável (sempre). Cada escolha de infraestrutura é orientada pela sustentabilidade e pelos saberes ancestrais, em sintonia com a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: ODS 4 (educação de qualidade), ODS 6 (água e saneamento), ODS 7 (energia acessível e limpa), ODS 11 (cidades e comunidades sustentáveis), ODS 13 (ação climática) e ODS 15 (vida terrestre). Não pedimos "qualquer" infraestrutura — pedimos a que cumpre simultaneamente a função ambiental, social e cultural do espaço.
9. Iluminação — um direito
Iluminação é serviço público e condição de segurança e de uso educativo/noturno do espaço. Hoje aparece apenas como necessidade pontual de eventos — o diálogo com o CDC Cleuza Bueno para iluminar o Arraiá 2026 (registrado na ATA, item Infraestrutura) é o único registro.
Pedido à Subprefeitura: instalação/extensão de iluminação pública no perímetro do Quilombo. Justificativa ambiental: priorizar iluminação eficiente (LED/solar), de baixo impacto, alinhada ao ODS 7 e à segurança das atividades educativas com crianças e adolescentes do CCA.
10. Água — um direito
A água potável e o saneamento são reconhecidos como direito humano pela ONU (Resolução A/RES/64/292, 2010) e como serviço público universal pelo Marco do Saneamento (Lei 11.445/2007), que admite soluções alternativas e sustentáveis. O que já fazemos:
- Formação realizada: Oficina de Captação de Água da Chuva com Chefe Carlos Barros ("Yyrupa — a água é uma só")
- Captação na obra da sede: prevista na Missão Sede (telhas + captação)
- Eixo formativo: "Módulo 2 · Água" do projeto Raízes do Futuro (irrigação, hidroponia)
- Atenção à água para animais não-humanos (mais bebedouros) — Reunião CCA
Pedido à Subprefeitura: viabilizar abastecimento de água no espaço. A captação de chuva é solução sustentável complementar (alinhada ao ODS 6 e ao viés ambiental), mas não substitui o acesso regular à água para uso educativo, alimentar (cozinha/horta do CCA) e sanitário.
11. Banheiros Secos — saneamento sustentável
A solução de saneamento que defendemos para o espaço são banheiros secos (compostáveis) — opção de baixo custo, baixo impacto e baixo consumo de água, coerente com a vocação agroecológica do Quilombo e expressamente admitida como solução alternativa pelo Marco do Saneamento (ODS 6). No Arraiá 2026 a disponibilização de banheiros foi encaminhada via CDC Cleuza Bueno como medida emergencial de evento.
Pedido à Subprefeitura: autorização sanitária e apoio técnico para implantação de banheiros secos como infraestrutura permanente — saneamento digno é direito do espaço educativo e dos seus frequentadores.
12. Sede
Página/missão: Missão Sede — prioridade crítica.
- Objetivo: concluir a infraestrutura com telhas e captação de água
- Orçamento estimado: R$ 5.000 — gastos registrados em Orçamento Sede (1ª compra de madeira: R$ 402,00 via PIX)
- Voluntários comprometidos: Jeferson (Cimento), Fox, Tião, Igo, Yuri, José
- Função: espaço de formação, capacitação, estudos, ensaio e abrigo para dias de chuva (Desafios)
13. Formações e Capacitações
Formação é eixo central (Estatuto, Art. 3º III · Ações):
- Raízes do Futuro — currículo estruturado em módulos com o CCA: Módulo 1 · Terra (8 encontros, E1 a E8) e Módulo 2 · Água (ver projeto)
- Oficinas: captação de água, bioconstrução, compostagem, agroecologia, audiovisual, capoeira, música
- Rodas de saberes, formação política (Luta Popular), educação ambiental prática
- Roda de conversa formativa também na programação do Arraiá 2026
14. Arraiá Social
Evento cultural comunitário, aberto e gratuito — celebração e fortalecimento do território.
- Edição 2026: 25 de julho de 2026 (sábado), 14h–21h (extensão até 22h), conforme a ATA da Reunião Geral de 13/06/2026 (pauta principal: Arraiá) — ampla programação (DJ Santhu, Coral Guarani Mbya, Mestra Nita, Ancestxais, Coisa de Zé, Resistência du Gueto, microfone aberto), barracas (alimentação, brincadeiras, artesanato), fogão de lenha e roda de conversa
- Infraestrutura discutida na ATA e encaminhada ao CDC Cleuza Bueno: iluminação, disponibilização de banheiros e apoio estrutural — itens que dialogam diretamente com os pedidos de infraestrutura permanente (§9–§11)
- Articulação de parceiros via ofícios (comércio local, equipamentos públicos, coletivos) — ver ATA
- Transparência financeira: Movimentações Financeiras
15. As Missões em foco (pedidas explicitamente)
| Missão | Estado | Onde está | Resumo |
|---|---|---|---|
| CCA — Raízes do Futuro | Em andamento | /jardim/raizes-do-futuro | Horta agroecológica + compostagem + educação ambiental com o CCA Projeto Vida, abastecendo a cozinha do CCA (lid. Marlene) e atendendo à vulnerabilidade alimentar de 6 turmas. Currículo Módulo 1 · Terra concluído; Módulo 2 · Água em sequência. Alinhamento em reunião CCA. |
| Água | Parcial | Oficina · Sede · Gestão ambiental | Captação de chuva (oficina + obra da sede) e Módulo 2 do Raízes. O abastecimento permanente é tratado como direito no §10. |
| Plantas Medicinais | Em construção | citada em Raízes e reunião CCA ("canteiros medicinais") | Canteiros medicinais — saber ancestral e cuidado comunitário — já previstos dentro do Raízes do Futuro. |
| Sede | Crítica, em obra | /missoes/sede · orçamento | Conclusão da estrutura (telhas + captação). R$ 5.000 estimado; voluntários definidos. |
A missão Plano de gestão ambiental (em andamento) formaliza o plano de manejo das araucárias e dos recursos naturais — peça útil à regularização junto ao poder público.
16. O que pedimos à Subprefeitura (encaminhamentos)
- Regularização do uso do espaço público — termo de permissão/concessão de uso da área da Rua Eçauna, 137, reconhecendo a gestão e os cuidados comunitários já exercidos (§5)
- Reconhecimento da Associação Comunitária Quilombo Araucária — associação civil sem fins lucrativos, regida pelo seu Estatuto Social — como interlocutora legítima do território
- Garantia de infraestrutura básica — como direito do espaço educativo (§8-A): iluminação pública eficiente (§9), abastecimento de água (§10) e autorização + apoio técnico para banheiros secos (§11), todos com solução ambientalmente sustentável (ODS 6, 7, 11)
- Continuidade da emenda pública e apoio aos projetos sociais (Raízes do Futuro/CCA, §15)
Quilombo Araucária — Natureza Viva, Futuro Ancestral · Rua Eçauna, 137, Jardim Umarizal, São Paulo/SP Contato: rede@quilomboaraucaria.org